Três bares lacrados no bairro

Paulo Mathias, prefeito regional.

O prefeito regional Paulo Mathias afirmou que irá lacrar três bares da Vila Madalena (cujos nomes não quis revelar) que estão funcionando sem a documentação necessária.

A informação foi dada na reunião do Conselho Participativo Municipal de Pinheiros/Vila Madalena, nesta quinta-feira (02.03), no auditório da Prefeitura Regional.

No encontro, o assunto principal foi o carnaval de rua e os “rolezinhos” na Vila. Foi unanimidade entre os presentes o fato de que a pulverização de blocos pela cidade minimizou bastante os problemas no bairro.

Segundo Paulo Mathias, por falta de atrações perto de suas residências muita gente vem até de outros municípios para “curtir” a Vila Madalena.

Mathias contou que nas noites em que ficou monitorando o carnaval de rua, verificou que a maioria dos veículos de fora tinha chapa de outras municípios como Osasco,  Taboão da Serra, Caieiras, Guarulhos etc.

A PM bloqueou o acesso ao quadrilátero do carnaval no fim da tarde de terça-feira (28.02), devido à multidão de jovens de toda a cidade e até de outros municípios que lotaram a Vila, mesmo sem desfile de blocos.

Conselheiros da Vila, como João Pedro e Beatriz Torres, reconheceram no encontro que a atuação da Regional melhorou em relação aos anos anteriores e pediram alguns ajustes para o próximo fim de semana.

Entre esses pedidos, maior fiscalização na Travessa Tim Maia e melhor atendimento dos telefones de emergência, como o 3095-9595, que não funcionaram a contento no último feriado.

Mesmo sem blocos
bairro lotou na terça

No final da tarde, na esquina da Fradique com a Wizard, sem a presença da CET, pessoas se misturavam perigosamente aos carros.

Mesmo sem nenhum bloco desfilando nesta terça-feira (28.02) na Vila Madalena, as ruas do bairro foram invadidas por uma multidão de jovens de todas as partes da cidade.

A partir das 17h, a Polícia Militar proibiu a entrada de mais pessoas no Quadrilátero do Carnaval, alegando que a área já estava superlotada.

Essa medida provocou a debandada de muitos visitantes, mas a maioria permaneceu nas cercanias dos bloqueios, atraindo ambulantes e se misturando perigosamente aos carros que passavam pelo local.

Na hora do pico, no início da noite, moradores tentaram se comunicar com a Prefeitura Regional para pedir a fiscalização de ambulantes e agentes da CET para orientar o tráfego, princialmente na esquina das ruas Fradique Coutinho e Wizard (foto).

Mas ninguém atendia ao telefone divulgado pelo prefeito regional para os moradores, 3095-9595. Este blogue tentou uma resposta por intermédio desse número das 18h às 20h, ininterruptamente, mas não obteve sucesso.

Em nota à Voz da Vila, a Prefeitura Regional justificou que “devido ao grande fluxo de chamadas, em determinados momentos os telefones encontravam-se ocupados, porém em seguida o fluxo de ligações se restabelecia naturalmente”.

Ao contrário do telefone de emergência, o plano de esvaziamento e limpeza das ruas a partir das 23h funcionou a contento. Salvo algumas exceções nas redondezas, depois da meia-noite não havia praticamente mais grupos nas ruas do quadrilátero, de acordo com vários testemunhos de moradores.

No próximo fim de semana espera-se o desfile de pelo menos seis blocos exclusivamente no bairro.

Medeiros: nunca aos sábados

Público ouve música ao vivo em frente à Medeiros de Albuquerque.

A Sociedade Amigos de Vila Madalena (Savima) informou nesta sexta-feira (24.02) que o Armazém da Vila não poderá mais fechar a Rua Medeiros de Albuquerque aos sábados.

Segundo a associação, acordo nesse sentido foi assinado entre a Prefeitura Regional, moradores daquela via e proprietários do Armazém.

O estabelecimento, ainda segundo a Savima, poderá realizar shows na Medeiros de Albuquerque aos domingos e feriados, dentro do que estabelece a legislação “Ruas Abertas”. Aos sábados, shows só dentro do Armazém.

No Carnaval, 6 blocos na Vila

Relação oficial dos blocos que desfilarão durante os quatro dias de Carnaval na Vila Madalena, de acordo com o saite oficial “carnavalderua.prefeitura.sp.gov.br”:

DIA 25 – SÁBADO

Cacique Jaraguá – 15h – Ruas Fidalga; Wisard; e Harmonia.

Cordão do Sanatório Geral- 14h – Ruas Fradique Coutinho; Inácio Pereira da Rocha; Belmiro Braga; e dispersão no CC Rio Verde.

Maracatu Bloco de Pedra – 14h – Ruas Medeiros de Albuquerque; Aspicuelta; Fidalga; Wisard; Girassol. Aspicuelta e Medeiros de Albuquerque.

Bloquinho Madalena – 9h – Rua Belmiro Braga entre a Cardeal Arco Verde e Inácio Pereira da Rocha.

DIA 27 – SEGUNDA-FEIRA

Bloco do Bargaça –  14h – Ruas Aspicuelta; Harmonia; Wizard; Fidalga.

Bloco Fuzuê – 15h – Ruas Mourato Coelho; Inácio Pereira da Rocha; Fradique Coutinho e Aspicuelta.

Não consta da relação oficial o desfile de blocos no bairro para domingo, dia 26.

BALANÇO

A Prefeitura Regional informou que no final de semana passado (18 e 19.02) foram apreendidas 12 toneladas de produtos vendidos por ambulantes nas ruas da Vila.

Para a limpeza das ruas foram utilizados 40 varredores, seis caminhões-pipa, quatro caminhões-antares, quatro caminhões-coleta e quatro motocicletas.

 

Savima reage a
carnaval de rua: “Basta”!

Foto tirada pela moradora Cristina

A Sociedade Amigos de Vila Madalena (Savima) divulgou manifesto, esta semana, no qual pede o fim do carnaval de rua no bairro. Segundo a associação, esse evento dessa magnitude tornou-se “incontornável e incontrolável”.

“Moradores e comerciantes ilhados em suas casas e comércios, tristes e atentos com a insanidade e a destruição de um bairro, que não tem condição alguma de receber milhões de pessoas”, diz o documento.

Leia abaixo a sua íntegra:

“Carnaval de rua em bairros residenciais, especificamente na Vila Madalena, tornou-se incontornável e incontrolável. Crise que agora toma jeito de agonia violenta, suja, com espasmos brutais. Não há como confundir com vitalidade esses estertores do gigante drogado.

O buraco é mais embaixo e não dá para esconder. Ambulantes se espremem pelas ruas, vendendo cerveja, inclusive para menores de idade; outros, atacam o comércio de drogas e, na euforia da libertinagem, crianças e adultos passam mal, vomitam, entram em coma alcoólico.

Moradores e comerciantes ilhados em suas casas e comércios, tristes e atentos com a insanidade e a destruição de um bairro, que não tem condição alguma de receber milhões de pessoas. De qualquer modo, uma coisa é certa: o carnaval não dá grande retorno aos cofres públicos. Dá mesmo é prejuízo. De diversos tipos.

Sabendo-se que evento dessa magnitude na Vila Madalena, não é bom para os moradores, não é bom para os comerciantes, não faz bem para a saúde do bairro e não é bom para as autoridades. O que nos resta, utilizando do bom senso, é retirá-lo daqui e encaminhá-lo para lugares apropriados, de fácil acesso e com condições de receber milhares de pessoas: Sambódromo, Interlagos, Av. Tiradentes etc …

Na Copa do Mundo não havia blocos, mas a Vila Madalena recebeu milhares de pessoas e, a partir daí, percebeu-se a precariedade de um bairro residencial para acomodar essa multidão. Foi um sinal para que as autoridades na época, prestassem atenção na luz vermelha que acabara de acender. Mas o desleixo e o desrespeito com quem vive a Vila 24 horas por dia foi acionado e, ao contrário do que esperávamos, agigantaram o evento Carnaval de Rua na Vila Madalena e, claro, não deram conta da ordem, da limpeza, da segurança, do transporte, das pichações, das necessidades físicas, das pessoas mal intencionadas, da sinalização, do trânsito e do respeito humano.

Não há campanha pública educativa, não há qualquer restrição à prática deletéria que degrada um dos mais belos e descolados bairros do mundo. A coisa se repete sistematicamente. Neste carnaval, fotos e filmagens assustadoras. Sanitários químicos não podem e não devem ficar em frente a residências ou comércios, pois os valores de impostos pagos por eles não merecem de troco privadas que cheiram a urina e que embrenham na alma de cada um e faz o coração lacrimejar de tristeza.

O altíssimo volume de som, ultrapassando os decibéis admitidos oficialmente na Lei do Silêncio, onde quase sempre o estrondo substitui a musicalidade, não leva em conta o fato de que nos bairros há também moradores que desejam dormir, querem sossego, precisam de repouso; que aí há crianças, idosos, enfermos e também gente adulta, sadia, que não se interessa pela folia, muito menos pelo barulho.

Numa cidade em que a mobilidade urbana já é crítica, o direito de ir e vir dos moradores se vê severamente limitado por longo tempo. O sono é proscrito para muitos; o sossego fica proibido. Quem não quer ensurdecer que se mude. E, se quer paz, dane-se: é carnaval! Quem não deseja ver danificada sua casa, seu edifício ou seu estabelecimento de comércio, providencie tapumes e arque com os gastos, pois o Poder Público não tem nada com isso.

Na lógica dos donos da folia, mais importante que o direito dos cidadãos é o dinheiro gordo de alguns patrocínios, o livre crescimento do capital no mercado da alegria, que não dá nenhum retorno aos bairros explorados: que os deixa imundos, depredados, arrasados, para glória e lucro de poucos.

O direito à saúde pública desaparece. O valor do patrimônio artístico é menosprezado. Aqui, pelo jeito, moradores não contam. Só existem enquanto cidadãos na hora de pagar o IPTU, sempre muito alto, e só então a Vila Madalena passa a ser “área nobre”.

A taxação é pesada e inexorável para quem sofre os desmandos carnavalescos. Os donos da folia sabem que podem usar e abusar do espaço público; a conta da depredação nunca lhes será cobrada.

Eles caracterizam sua promoção como cultural, mas é difícil encontrar cultura no circuito planejado para o desfile. A criatividade, a beleza, o humor, a crítica, a inteligência, foram varridos no espaço mais privilegiado dessa folia. O que se vê, de fato, é o que acontece em outro desfile: aquele que acumula milhares de pessoas à procura de sexo e loucuras.

Com certeza absoluta, ninguém merece esse tipo de coisa em frente de sua casa ou comércio.

Por isso, para quem tem condições, o melhor é desviar desse evento que acaba durando mais de um mês.
Sim, porque tem o pré do pré.
Depois do pré do pré, o pré.
Aí vem o Carnaval.
Depois o pós.
E, em seguida, o pós do pós.
Ufa, acho que terminou.

Vamos terminar com isso?”

SAVIMA Sociedade Amigos de Vila Madalena
Cassio Calazans de Freitas – Presidente